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A havaiana branca

04/04/2009

Ontem lavei minhas havaianas. Quando as comprei, elas eram brancas, de alças finas. Mas daí eu vim pra cá, pra terra do pé vermelho, e elas foram sujando; de tanto andar por aí com elas, elas estavam meio alaranjadas. A parte de baixo estava bem suja tive que esfregar bastante e, ainda assim, o alaranjado não saiu. Acabei por me conformar que minhas havaianas brancas não são mais brancas.

Já desde o primeiro dia aqui uso as havaianas brancas. As havaianas agora alaranjadas pela terra vermelha aqui do Paraná. Já não consigo mais tirar esse alaranjado delas, nem com água sanitária (a famosa Q-Boa).

E é assim comigo também, já não consigo mais tirar os costumes locais, as manias que adquiri aqui. Deixar as portas e janelas abertas, tomar café com pão no meio da tarde, sentar na cadeira de área do lado de fora e ficar lendo até escurecer. Conversar com as pessoas no mercado, na padaria, fazer amizades nos lugares mais improváveis. Andar com calma, feira às quintas-feiras para comer pastel e beber tubaína, passear devagar na praça da Catedral, tomando um sorvete, aos domigos.

Já estou impregnada do alaranjado dessa vida aqui. Já não me vejo mais andando naquelas avenidas cinzentas, no meio do caos. Já não penso mais na vida noturna agitada. Anseio por ir à casa de meus parentes, só para jorgar conversa fora, sem me preocupar com horários.

Não há mais Q-Boa que tire isso de mim. Já não sou mais uma branca havaiana branca. 🙂

Ouvindo: Louise Attaque – Ca M’Aurait Plu

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