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Att.: Arquidiocese de Olinda e Recife, A/C de Vossa Santidade, o Arcebispo José Cardoso Sobrinho – e a quem interessar possa.

07/03/2009

De Lizandra Silva, Maringá, PR, Brasil.

Ref.: A excomunhão da menina de 9 anos que foi estuprada pelo padrasto, a excomunhão da mãe da mesma menina e a não excomunhão do padrasto.

Alagoinha, Pernambuco, Brasil, 2009, uma menina de nove anos engravida do padrasto. Quem deveria cuidar e amar, machuca e maltrata.[1]

Há mais de dois mil anos, parte da humanidade segue uma crença, um deus, um clero que prega os ensinamentos de Jesus Cristo. O mesmo Jesus Cristo que, alega a Igreja Católica Apostólica Romana, morreu por nós, deu seu sangue para que pudéssemos ser bons, benevolentes, humildes, caridosos uns com os outros.

Esse mesmo homem-deus e seu pai, a propósito, têm permitido, ao longo dos anos, que a ICAR[2] cometesse inúmeros crimes (muitos deles considerados “pecados” sob a ótica da própria doutrina aplicada pela Igreja) em seus nomes.

Onde estava o ato da excomunhão quando a ICAR assassinou milhares de homens, mulheres e crianças durante toda a sua existência? Homens, mulheres e crianças tão ou mais inocentes que a mãe e a menina nordestinas e, com certeza, mais inocentes que o padrasto estuprador?

Onde estavam o Papa, os bispos, os padres que pregam o mandamento divino “Não matarás” durante o Holocausto (também apoiado pela ICAR)?

Onde está o ato da excomunhão para padres pedófilos, que não só não se arrependem do fato, como continuam a violar crianças e jovens em novas paróquias (e com conhecimento e consentimento da ICAR)?

Faz-me rir o ato de Vossa Santidade, o arcebispo de Olinda e Recife, quando excomunga – e tenta processar – a mãe por querer que o bem-estar e a saúde (física e mental) de sua filha estejam em primeiro plano, antes de ir contra o mandamento acima citado.

Faz-me rir, também, o fato de Vossa Santidade preferir que a criança mantivesse a gravidez. Se assim fosse, pela sua lógica, eu o posso acusar de assassinato, já que o Senhor está mandando matar a menina de nove anos que – definitivamente – não sobreviveria a tal gestação. E – veja a ironia – Vossa Santidade está indo contra os próprios princípios e doutrinas que prega.

Se a gestação se desse e a menina falecesse, que diria o senhor ou seus superiores de tal fatalidade? “Foi a vontade de Deus”? Então o seu deus não só permite que a menina sofra os maus-tratos e abusos do padrasto, mas também deseja que ela morra?

E quanto ao padrasto? Este não merece a excomunhão? Ele se disse arrependido de seus feitos, a qualquer momento? Ele se confessou ao padre da referida paróquia, pedindo assim o perdão de seu deus, perdão pelos horrendos atos realizados? Por isso não foi excomungado?

Ah, sim, pela ótica da ICAR, o crime que ele cometeu não acarreta a excomunhão. O crime dele é menos grave, afinal ele não matou ninguém. Ele só fez algo que possibilitou a morte de TRÊS pessoas. E possibilitar a morte não é o mesmo que efetivamente matar

Aliás, gostaria de saber onde, na Bíblia, diz que o estupro é um pecado menos grave que o aborto? Quem determinou isso? Seu deus, Jesus Cristo? Ou é apenas mais uma “interpretação” do Vaticano (e de seus seguidores) das palavrinhas mágicas do livrinho de vocês?

Desculpem o sarcasmo, mas com tantas contradições, com tantos ataques e golpes contra a lógica, a razão, a decência e a vida, sou obrigada a recorrer a essa figura de linguagem tão vil.

Vossa Santidade… acho que posso chamá-lo de você, afinal você não me inspira respeito o suficiente para que eu me dirija com a formalidade que vinha utilizando até agora…

Pessoas que retiram seu sentido de moralidade de um livro escrito há quase dois mil anos, não deveriam poder estar à frente de nenhuma instituição, nação, país ou qualquer outra coisa. Para liderar é preciso pensar por si próprio, é necessário raciocinar, pesar as conseqüências de seus atos e daqueles que o seguem. A Igreja nunca fez isto e continua a não fazer. Os poucos que pensam, não raciocinam propriamente, arquitetam, bolam, maquinam maneiras de enganar, calotear, tapear os ingênuos e os ignorantes.

Uma doutrina ultrapassada, desatualizada, que não respeita a vida em si não deve ser respeitada.

Por fim gostaria de dizer que acredito que mãe e filha devem ter ficado bastante felizes com o ato da excomunhão, afinal, agora, podem ser livres para pensar e fazer o que bem lhes entender, sem serem julgadas ou condenadas por isso…

Esta carta será enviada a quaisquer jornais, blogs, sites, centros religiosos de qualquer vertente que tenham interesse em publicá-la. Sinceramente espero que ela seja amplamente difundida, discutida, analisada, revista, pensada, assim, talvez as pessoas criem consciência de que nada na doutrina Católica Apostólica Romana – ou qualquer doutrina, por sinal – tem consistência, coerência, firmeza.

É, eu sei, usei muitos sinônimos/variantes para diversos termos na carta… Sabe por quê? Para ver se esse texto atinge o maior número possível de pessoas, indivíduos, seres humanos… Algo que vocês não sabem o que é…


[1] Não entrarei em detalhes, vocês sabem de quem estou falando.

[2] Para facilitar a minha escrita e a sua leitura, a partir de agora abreviarei Igreja Católica Apostólica Romana por ICAR.

Essa carta foi baseada na raiva que estou sentindo e, especialmente, no texto/nas discussões do Ceticismo.net.

Podem e DEVEM divulgar este texto… só coloquem os links e as autorias, por favor?

Em breve colocarei aqui a versão em inglês para quem quiser enviar pros gringos… 😀

Participem da campanha: “Eu também quero ser excomungado!”. Enviem um e-mail/carta para a sua arquidiocese solicitando a excomunhão! \o/

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