"Não importa a potência do som do seu carro ou quão rebaixado ele é, você é um bosta fora dele e vai continuar sendo dentro dele." (@cahbicudo, hoje, no Twitter)
não é terem podado o convívio, mas terem me impedido as lembranças…
não é terem podado o convívio, mas terem me impedido as lembranças…
Lembra daquela mão? Daquele esmalte? Daquela música? Estão guardados, aqui. Lembra daquela carne, daquele vinho, da cerveja? Estão aqui também. Eu tinha esquecido, mas lembrei do filme, do seriado, do livro e do CD. Eles também estão aqui… em algum lugar.
Espera, vai ver que estão aqui debaixo do papel "contact" usado. Não, não estão. Naquela partição esquecida do HD? Não. Espera, eu sei que estão aqui. Calma, eu vou achar…
Tem o sofá também, lembra? E o baú? Ai, eu sei que estão aqui… Eu sei! Acho que eu guardei aqui nessa caixa. Não, não estão aqui também. (Gente, onde foi parar isso? Tenho certeza que estavam aqui!)
Eu perdi, só pode ser! Não, tem que estar aqui em algum lugar, afinal eu ainda não terminei de arrumar a bagunça da minha vida… é provável que estejam aqui, ó…
Calma, acho que achei: a mesa redonda, no canto, com a toalha azul. Ah, é, e o computador. Olha só: luzes, muitas delas. Parece natal… Eu esperava encontrar tudo, mas só achei isso. Foram se deteriorando com o tempo.
Eu achei… não, não achei. Pensei que tinha achado. De verdade. Mas era só fogo de palha, um momento, um espasmo. Pensei que tinha encontrado o final de tarde e a pizza de sábado de novo. Pensei que aquela limpeza não fôra a última. Pensei que teria que tirar os sapatos de novo.
Juro que pensei que tivesse encontrado novamente aquele quadro, a lâmpada e o chinelo. Achei a almofada, mas ela não é nada sem sua parceira: a cortina. Achei a capa branca, a vermelha está guardada, suja do tempo e dos tempos. Os copos são os mesmos, os pratos e os talheres não são mais. Ainda tem aquele mesmo porta-copos, mas ele está um pouco gasto, diferente do que eu lembro.
Na verdade o que eu esperava, o que eu procurava, não está aqui. Não chegou, não veio. Devia ter chegado ontem, no dia do meu aniversário. Não precisava bater à minha porta, bastava ser virtual. E não está aqui. Era pra estar, lembra?!
Lembra daquela mão? Daquele esmalte? Daquela música? Estão guardados, aqui. Lembra daquela carne, daquele vinho, da cerveja? Estão aqui também. Eu tinha esquecido, mas lembrei do filme, do seriado, do livro e do CD. Eles também estão aqui… em algum lugar.
Espera, vai ver que estão aqui debaixo do papel “contact” usado. Não, não estão. Naquela partição esquecida do HD? Não. Espera, eu sei que estão aqui. Calma, eu vou achar…
Tem o sofá também, lembra? E o baú? Ai, eu sei que estão aqui… Eu sei! Acho que eu guardei aqui nessa caixa. Não, não estão aqui também. (Gente, onde foi parar isso? Tenho certeza que estavam aqui!)
Eu perdi, só pode ser! Não, tem que estar aqui em algum lugar, afinal eu ainda não terminei de arrumar a bagunça da minha vida… é provável que estejam aqui, ó…
Calma, acho que achei: a mesa redonda, no canto, com a toalha azul. Ah, é, e o computador. Olha só: luzes, muitas delas. Parece natal… Eu esperava encontrar tudo, mas só achei isso. Foram se deteriorando com o tempo.
Eu achei… não, não achei. Pensei que tinha achado. De verdade. Mas era só fogo de palha, um momento, um espasmo. Pensei que tinha encontrado o final de tarde e a pizza de sábado de novo. Pensei que aquela limpeza não fôra a última. Pensei que teria que tirar os sapatos de novo.
Juro que pensei que tivesse encontrado novamente aquele quadro, a lâmpada e o chinelo. Achei a almofada, mas ela não é nada sem sua parceira: a cortina. Achei a capa branca, a vermelha está guardada, suja do tempo e dos tempos. Os copos são os mesmos, os pratos e os talheres não são mais. Ainda tem aquele mesmo porta-copos, mas ele está um pouco gasto, diferente do que eu lembro.
Na verdade o que eu esperava, o que eu procurava, não está aqui. Não chegou, não veio. Devia ter chegado ontem, no dia do meu aniversário. Não precisava bater à minha porta, bastava ser virtual. E não está aqui. Era pra estar, lembra?!
Ouvindo: Bruce Springsteen – Matamoros Banks
via FoxyTunes
Eu ia fazer o post ontem, mas estava cansada de tanto trabalhar e decidi deixar pra hoje.
Cheguei. Três décadas.
Não sei se isso muda algo. Não sei se eu quero que algo mude. Estou bem, num lugar bom, feliz; trabalhando, com plena saúde. Os (verdadeiros) amigos me acompanham, a família está ao lado.
Quando era adolescente achava que ao fazer trinta anos já seria adulta, adulta como via meus pais naquela época. Não me sinto desse jeito, não me sinto tão adulta. Ainda me sinto jovem, mas não tão jovem. Não é fácil definir. De certa forma, ainda não deixei de ser criança, mas as preocupações da vida adulta já me alcançaram. E eu tenho trinta anos…
Os meus prazeres já não são os mesmos de 10 anos atrás. As minhas crenças já não são as mesmas de 20 anos atrás. Os meus projetos já não são os mesmos; eles nunca foram os mesmos, sempre mudando, sempre em transformação.
Não sou a pessoa que achava que seria aos trinta, não tenho o que achava que teria, não penso como achava que pensaria. Essa pessoa que escreve este post é diferente de qualquer outra que eu já tenha imaginado aos trinta anos. O cabelo é o mesmo, mas o resto, quanta diferença! Ou melhor, nem o cabelo é o mesmo…!
Seria um bom momento para fazer desejos e promessas para o futuro, mas nunca fui boa em cumprir promessas e os meus desejos já têm se realizado, sem tê-los feito oficialmente. Só espero que as coisas se mantenham como têm se mantido ao longo dos primeiros trinta anos: muita alegria, muita dor, bons amigos, cervejas, sorrisos, lágrimas, muita comida boa, bons livros, bons filmes; enfim, uma vida toda, sem restrições, sem exageros, equilíbrio em tudo.
E parabéns pra mim!
Ouvindo: absolutamente nada. Só o som dos meus pensamentos.